Canvas

 

 

Quando começaram as aulas, uma aluna perguntou se falaríamos sobre canvas. Sim, falaremos – e é hoje!

Mas… o que é canvas?

Para a arte, o canvas é a tela na qual o artista faz sua arte, ou seja, sua pintura. Para os negócios, a analogia é semelhante. O canvas é uma forma de sintetizar as principais ideias de um modelo de negócio, projeto ou produto, em uma única página. Da mesma forma que uma pintura, o canvas permite visualizar de uma só vez os principais aspectos do empreendimento.

E quais as vantagens dessa abordagem? Para começar, a (aparente) simplicidade. Enquanto um plano de negócios requer uma leitura longa e aprofundada para entender os detalhes do negócio, o canvas permite uma noção mais rápida de “como a coisa funciona”. Isso facilita a disseminação das ideias gerais, objetivos e modelo de negócio ou trabalho entre os colaboradores do projeto, ajudando no alinhamento das ações e minimizando dúvidas. Dessa forma, o canvas é uma ferramenta estratégica para consolidar modelos de negócios e projetos.

Outra vantagem é a visão integradora do empreendimento. Em uma única página, é possível visualizar fatores-chave de sucesso, relações entre setores, fornecedores e clientes, aspectos de atenção e muito mais.

O canvas pode ser usado em diversas situações, dentre as quais:

  • desenvolvimento de ideias de negócios: uma vez que o canvas permite uma visualização rápida, é possível gerar vários canvas com diferentes abordagens para o plano de negócios, de forma individual ou colaborativa (o que é muito mais indicado, diga-se de passagem);
  • discutir modelos com os sócios ou colaboradores: da mesma forma que pode ser usado para desenvolver ideias de negócios, o canvas também pode ser utilizado para discutir e aprimorar modelos de negócios e estratégias com os sócios e colaboradores estratégicos do empreendimento — discuta as ideias importantes e solidifique-as em um canvas para que todos tenham a mesma compreensão e falem a mesma língua (mas cuidado para não compartilhas os segredos do negócio com quem não é de total confiança!);
  • apresentação para investidores: quando é necessário apresentar uma ideia para um investidor, normalmente o tempo é muito curto (se conseguir cinco minutos de atenção de um investidor sério, solte foguetes e aproveite ao máximo!). O canvas, com sua visão sintética, permite mostrar os conceitos e ideias fundamentais do negócio, aumentando as chances de conquistar a atenção daquele que pode ser a chave para alavancar seu negócio. A alternativa é discutir um plano de negócios de 50 páginas ou mais… o que não vai dar muito certo numa primeira reunião.

A essa altura, você, leitor(a), deve estar se perguntando: ok, mas como é esse treco? qual o jeitão desse tal canvas?

Aqui a coisa fica interessante: existem diferentes canvas, cada um com uma aplicação diferente. Vamos a eles!

Business Model Canvas

O Business Model Canvas (BMC, para os iniciados) foi inicialmente proposto por Alexander Osterwalder, baseado no seu trabalho anterior sobre Business Model Ontology.

“Um Modelo de Negócios descreve a lógica de criação, entrega e captura de valor por parte de uma organização”, segundo Osterwalder. O BMC captura os principais itens que compõem o modelo de negócio.

O BMC, assim todo os demais canvas, pode ser impresso numa grande superfície para grupos de pessoas começarem a esboçar e discutir elementos do modelo de negócios com lembretes em Post-it ou marcadores para quadro branco. É uma ferramenta que fomenta o entendimento, a discussão, a criatividade e a análise. Obviamente, também existem opções para se trabalhar no computador, ou você pode criar o seu com muita facilidade.

O BMC trabalha com nove elementos fundamentais (chamados building blocks) de um Modelo de Negócio:

  1. Segmento de Clientes: para quem estamos criando valor?
  2. Propostas de Valor: que valor entregamos a nossos clientes?
  3. Canais: como alcançamos e queremos alcançar nossos clientes?
  4. Relacionamentos com Clientes: que tipo de relacionamento esperamos ter com nossos clientes?
  5. Modelo de Receitas: por qual valor os clientes estão dispostos a pagar?
  6. Principais Recursos: quais os principais recursos que nossa proposta de valor requer?
  7. Principais Atividades: quais as principais atividades requeridas por nossa proposta de valor?
  8. Alianças: quem são nossos principais parceiros?
  9. Estrutura de custos: quais são nossos principais drivers de custo?

Esses elementos ficam distribuídos como na figura a seguir:

Assista o vídeo a seguir para saber mais sobre o BMC:

 Lean Canvas

O Lean Canvas (LC para os íntimos) é uma variação do BMC desenvolvida por Eric Ries, porém voltado para startups. No LC foram trocados 4 blocos em relação ao BMC: Parceiros, Atividades, Recursos e Relacionamento: por Problema, Solução, Indicadores e Barreira de Imitação. O autor sugere que o BMC possa ser utilizado posteriormente à construção do LC. A jeitão dele é esse:

Tem vídeo para o LC também:

Pessoalmente, prefiro o LC em relação ao BMC (especialmente para startups), por ser mais objetivo e focado no problema, que considero ser o ponto de partida para qualquer negócio.

Project Canvas

Como o nome sugere, o Project Canvas (PC) segue os mesmos princípios básicos, porém sua orientação é para o planejamento de projetos. Utilizando os conceitos de gerenciamento de projeto, o PC coloca em uma página as principais deliberações da fase de planejamento. No Brasil, o PC foi desenvolvido pelo Prof. José Finocchio Júnior, e a cara dele é essa:

Innovation Project Canvas

Outro canvas que pode ser interessante é o Innovation Canvas (IPC), usado para planejar a experimentação de projetos de inovação e desenvolvido pela Innoscience. Funciona na estruturação e desdobramento de uma ideia de potencial inovador e apoia o planejamento da experimentação. Veja como ele é:

Innovation Canvas

Se você tem uma ideia, mas ainda não a explorou sob a perspectiva de negócio, talvez o Innovation Canvas (IC) seja uma alternativa que mereça consideração. O IC é uma versão reduzida de um caso de negócio, apresentando dimensões relacionadas às fontes de insights que geraram a ideia, a própria ideia e suas características e uma visão de mercado. O IC tem essa aparência:


Muito bem, prezado(a) leitor(a)! Agora você tem uma pequena amostra de possíveis canvas para estruturar sua ideia, estratégia, projeto ou negócio. Qual usar? Depende do objetivo e da sua intenção em se familiarizar com as opções. Cada uma possui uma característica interessante e potencialmente útil. O importante, no entanto, é compreender os canvas pelo que eles realmente são: ferramentas que podem ajudar a consolidar uma visão (de natureza abstrata) em um negócio (de natureza concreta). Vamos em frente?

Referências

Written by 

Graduado em Comunicação Social pelo Centro Universitário de Brasília (1993), Mestre em Engenharia de Produção pela Universidade Federal de Santa Catarina (2001) e Especialista em Gestão de Negócios pela Fundação Dom Cabral (2010). Profissional com experiência em instituições de ensino nacionais de grande e pequeno porte, com vivência na Direção Acadêmica e Executiva. Experiência em gestão acadêmica e administrativa nas modalidades Educação Infantil, Ensino Fundamental e Ensino Superior. Experiência na construção de planos de trabalho e instrumentos jurídicos para a tramitação de processos públicos voltados à execução de projetos de pesquisa, desenvolvimento e inovação. Elaboração e apoio na execução de projetos para órgãos públicos e privados.

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