Psicológicas

Nos últimos cem anos, a criatividade passou a ser tratada mais cientificamente, sendo que sua minuciosa investigação tem cabido em grande parte aos psicólogos. A coisa começa a ficar mais prática: Associacionismo, Teoria da Gestalt, Psicanálise e Neopsicanálise.

John_Locke's_Kit-cat_portrait_by_Godfrey_Kneller,_National_Portrait_Gallery,_LondonAssociacionismo

No século XIX, foi a escola que dominou a psicologia: remonta a John Locke (1632-1704). Desaguou no século XX, nas limitações um tanto estéreis do behaviorismo (…)”. Esta teoria trata da relação entre duas idéias: se você é exposto a uma delas separadamente, a outra vem à tona. Daí decorre que quanto mais idéias (situações) são familiares a um indivíduo, mais idéias terá à disposição, e mais criativa será. Uma crítica a esta teoria é o fato de que a criação pressupõe uma idéia nova, original, e não uma conexão entre idéias estabelecidas. “Muita confiança em associações passadas produz, em lugar de originalidade, respostas comuns e previsíveis”. Publicitariamente falando: o publicitário criativo não é aquele que lança mão de associações passadas, mas justamente o que cria uma associação inédita, surpreendente. Se estivéssemos a fazer uma correção desta teoria, poderíamos dizer que “não será mais criativo quem mais associações adquiriu, mas sim quem mais adquiriu elementos não associados… e saiba originalmente associá-los.

Teoria da Gestalt

A criatividade vem do complemento de “formas”, de relações não-fechadas. O criador, ao buscar a solução para um problema, analisa a situação como um todo, buscando estabelecer suas relações (formas) e identificar as estruturas não-resolvidas, restaurando a harmonia do todo.

Sigmund_Freud_LIFEPsicanálise

Para Freud, a criatividade é originada em um conflito dentro do inconsciente (id). Mais cedo ou mais tarde, o id produz uma solução para o conflito. Caso tal solução reforce a atividade pretendida, é encarada como criatividade. Caso contrário, ela ocorre à revelia do ego, será reprimida e transformar-se-á em neurose. Desta forma, a criatividade e a neurose têm a mesma fonte: a energia do inconsciente. “A pessoa criativa aceita as idéias que surgem livremente em seu inconsciente. Ela inclusive afrouxa, por vezes, o controle do ego sobre o id, propositalmente, de forma a permitir que lhe aconteça o “estalo” desejado”. Ou seja, a criatividade depende de uma relação entre o ego e o id. Quanto mais relaxado for o ego, mais criativa será a pessoa. Cabe uma ressalva. Caso o ego seja por demais fraco, o id assume o controle do indivíduo, que passa a viver em um mundo de fantasias e alucinações, sem contato com a realidade.

Neopsicanálise

A criatividade não é produto do id, e sim de uma outra entidade entre este e o ego: o pré-consciente. “A criatividade é uma regressão permitida pelo ego em seu próprio interesse, e a pessoa mais criativa é a que pode recorrer ao seu pré-consciente de maneira mais livre do que as outras. O pré-consciente é a fonte da criatividade por causa da liberdade de reunir, comparar e rearranjar as idéias.